quarta-feira, 14 de março de 2012

Energias renováveis atingiram rendimentos recordes em 2011, diz relatório.


Apesar da instabilidade econômica que impactou o ano de 2011, as energias renováveis tiveram um bom ano, chegando a atingir rendimentos recordes e grandes aumentos de produção e instalação. Pelo menos é o que indica o Clean Energy Trends 2012 (Tendências da Energia Limpa 2012), novo relatório da Clean Edge, empresa de consultoria e pesquisa e energia limpa.

De acordo com o documento, todas as principais fontes de energia renovável (solar, eólica e biocombustíveis) tiveram altas taxas de crescimento em 2011, além de recordes de receita. A energia solar fotovoltaica, por exemplo, cresceu 69% em relação ao ano anterior, indo de 15,6 GW de capacidade instalada mundialmente em 2010 para mais de 26 GW em 2011.

Com relação aos rendimentos, a solar fotovoltaica teve um aumento de 29% em relação a 2010, subindo de US$ 71,2 bilhões para US$ 91,6 bilhões. A análise aponta que o percentual de crescimento dos rendimentos ficou menor do que o de capacidade instalada devido à queda do preço dos equipamentos e das instalações solares, que caíram de US$ 4,55 por watt de energia gerado em 2010 para US$ 3,48 em 2011.

E segundo o relatório, a tendência é que o crescimento nas instalações e nas receitas e a queda nos custos continuem na próxima década. O mercado deve atingir US$ 130,5 bilhões em 2021, enquanto o custo deve chegar a US$ 1,28 por watt gerado.

A energia eólica também apresentou crescimento semelhante. A capacidade instalada chegou a 41,6 GW, em grande parte graças à China, que foi responsável por 40% deste total, com 18 GW. Em segundo lugar ficou a União Europeia, com 10 GW, seguida dos Estados Unidos (7 GW), da Índia (3 GW) e do Canadá (1,3 GW).

Em relação às receitas, houve um crescimento de US$ 60,5 bilhões em 2010 para US$ 71,5 bilhões no último ano. Para 2021, a Clean Edge estima que os rendimentos da energia eólica cheguem a US$ 116,3 bilhões.

Já os biocombustíveis se mantiveram relativamente estáveis em se tratando de produção, subindo de 102,8 bilhões de litros gerados em 2010 para 105,4 bilhões em 2011. As receitas, por sua vez, subiram de US$ 56,4 bilhões em 2010 para US$ 83 bilhões em 2011.

Esse grande aumento foi impulsionado, sobretudo, pela alta nos preços das commodities, como o açúcar e os óleos vegetais, que subiram entre 10% e 20%. Para 2021, o relatório espera que os rendimentos dos biocombustíveis cheguem a US$ 139 bilhões.

Juntas, as três fontes de energia geraram US$ 246,1 bilhões em 2011, um crescimento de 31%em relação aos US$ 188 bilhões de 2010. A consultoria estima que esse valor chegue a US$ 385,8 bilhões nos próximos dez anos.

Mas apesar do enorme volume de capital movimentado e do crescimento da produção, o relatório sugere que todos esses ganhos não foram apropriadamente creditados devido aos revezes sofridos pela indústria renovável no último ano.

Um dos exemplos que o documento cita é o caso da companhia Solyndra, cuja falência ofuscou outras conquistas do setor, e fez com que muitos críticos das tecnologias limpas afirmassem que estas só se desenvolvem às custas de subsídios.

“O último ano pegou muitos na comunidade de tecnologia limpa de surpresa, à medida que a indústria se tornou um bode expiatório moderno. Os ataques esqueceram o fato de que muitas tecnologias de energia limpa estão se tornando custo-competitivas, são essenciais para a expansão dos mercados de energia em lugares como a China, o Japão e a Alemanha, e são uma proteção importante contra as formas mais voláteis de energia tradicional”, explicou Ron Pernick, co-fundador e diretor de gestão da Clean Edge.

O documento cita ainda outros pontos chave que favorecem e defendem o desenvolvimento do setor renovável: a indústria do petróleo, do gás e do carvão ainda recebe grandes subsídios; os projetos de energia nuclear requerem consideravelmente mais garantias de empréstimos do que as renováveis, e o acidente em Fukushima está estimulando a adoção das renováveis em detrimento da nuclear; o setor militar tem ajudado a desenvolver a energia limpa; a adaptação de edifícios está começando a desenvolver a eficiência energética; 2011 teve desenvolvimentos que apontam para um grande crescimento das tecnologias limpas etc.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Clean Edge

segunda-feira, 12 de março de 2012

Brasileiros usam 15 bilhões de sacolas plásticas por ano.

No Brasil, estima-se que o uso de sacola plástica seja 41 milhões por dia, 1,25 bilhão por mês e 15 bilhões por ano. Mas os consumidores brasileiros representam apenas uma parte do uso mundial do produto. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) indicam que, no mundo, são distribuídas de 500 bilhões a 1 trilhão de sacolas plásticas por ano. Dar uma destinação adequada a essas sacolas e incentivar o uso das chamadas ecobags tem sido prioridade em muitos países.

Na Irlanda, por exemplo, as sacolas plásticas foram vendidas, inicialmente, 0,15 centavos de euro por sacola. Com isso, houve a redução de 94% no consumo individual. Antes de 2002, quando a lei foi instituída, cada consumidor usava 300 sacolas por ano. Agora, o número é de 21 sacolas anuais. Hoje, o preço da sacola é  0,22 centavos de euro. O comércio oferece sacolas retornáveis.

Na Inglaterra, as sete maiores redes atacadistas assinaram acordo voluntário com o governo para reduzir à metade o consumo de sacolas plásticas até 2009. Para atingir a meta, houve investimento em ações de educação e conscientização dos consumidores, além da adoção de programas de fidelidade e campanhas de reciclagem.

Os Estados Unidos e o Canadá não têm leis nacionais regulando o uso de sacolas. Nesses países, cabe a cada estado adotar sua norma. Em Washington, capital norte-americana, há a cobrança de US$ 0,05 para cada sacola plástica ou de papel usada no comércio.

Em Toronto, no Canadá, desde 2009 os comerciantes cobram US$ 0,05 por sacola plástica. O governo local incentiva que o dinheiro arrecadado seja usado na própria comunidade ou em iniciativas ambientais.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 11 de março de 2012

Código Florestal: A disputa entre a competitividade e a ganância.

Ao pressionar por mudanças no Código Florestal Brasileiro o agronegócio, que vem demonstrando uma fantástica capacidade de inovar e crescer se apequena em defesa de ilegalidades e ganância.

O Código Florestal retorna à pauta da Câmara Federal esta semana e novamente coloca de frente argumentos em defesa da “produtividade” do setor agropecuário em contrapartida à necessidade defendida por cientistas e ambientalistas de se proteger pedaços de biomas naturais em propriedades agrícolas, conhecidos como Áreas de Preservação Permanente (APP) e Áreas de Reserva Legal (ARL).

No último ano esses termos entraram no vocabulário dos brasileiros, que em sua maioria já sabe o que significa.

No entanto, uma questão foi pouco tratada neste tempo todo de discussão. Com a manutenção do Código Florestal Brasileiro de 1966 o agronegócio brasileiro perderá sua competitividade? Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária o setor exportava 20,6 bilhões de dólares em 2000; em 2008, chegou a 69,4 bilhões em vendas ao exterior e, em 2011 pulou para 94,59 bilhões de dólares em exportações. O resultado de 2011 foi quase 25% maior que em 2010 quando o setor do agronegócio despachou pelos portos do país 76,4 bilhões de dólares.

Um estudo realizado pela Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento) realizado em 2006 projetava a transformação do agronegócio brasileiro em um dos mais fortes do mundo em 10 anos.

Hoje os números do setor mostram que o Brasil está atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia em termos de produção e vendas, já ocupando posição de liderança em alguns produtos, como açúcar, café, carne bovina e frango, mas tem posição de destaque também em soja, milho e outras commodities agrícolas.

Em termos de área disponível o Brasil conta com mais de 200 milhões de hectares de áreas que não se enquadram em nenhum tipo de restrição para uso agrícola, podendo chegar a quase 300 milhões, segundo publicou em seu blog o economista José Roberto Mendonça de Barros, e apenas 64 milhões de hectares estão sendo utilizados para a produção de 190 milhões de toneladas de grãos.

Todos esses números servem para mostrar apenas que o setor do agronegócio, que atualmente é controlado por um punhado de empresas, não tem nenhum problema em se manter competitivo diante do mercado internacional.

Atualmente, segundo dados levantados pelo jornalista Aldem Bourscheit, do WWF, sete em cada dez quilos de soja produzida no Brasil são processados por apenas nove empresas, e destas cinco são transnacionais: ADM (Estados Unidos), Cargill (Estados Unidos), Bunge (Holanda), Louis Dreyfus (França) e Grupo Noble (Cingapura).

Outro ponto que deve ser apontado e que vem sendo lembrado por especialistas ambientais e cientistas é que o avanço do agronegócio sobre novas áreas resulta em mais demanda por infraestrutura, estradas e portos em regiões onde normalmente não seriam necessárias, principalmente porque não são demandas da população local. Um exemplo disso é o porto para o embarque de soja construído em Santarém, no Pará, cuja licença ambiental é até hoje objeto de dúvidas.

O projeto que altera o Código Florestal, e que será apreciado pelos deputados federais, foi construído à revelia da opinião e participação dos principais centros de pesquisa científica do Brasil, como as universidades e a Associação Brasileiro para o Progresso da Ciência, que teve seus estudos rechaçados pelo antigo relator do código e atual ministro dos Esportes, Aldo Rebello.

O ponto que mais desperta indignação é o perdão de crimes ambientais cometidos contra o atual Código Florestal, com a anistia a desmatadores. É sempre bom lembrar que não anistiar sonegadores e criminosos foi uma das promessas de campanha da presidenta Dilma Rousseff, e que mesmo se o Código Florestal for descaracterizado pelos deputados, mantém a prerrogativa de vetar os pontos mais devastadores para a liderança ambiental do Brasil no mundo, principalmente no ano em que o país será o anfitrião de governantes de todo o planeta para um diálogo de construção de uma economia verde e de combate às desigualdades sociais, a Rio+20.

Autor: Dal marcondes   -   Fonte: Envolverde

sábado, 10 de março de 2012

Movimentos do campo querem que Dilma vete Código Florestal e pedem PAC ambiental.


Além de pedirem à presidenta Dilma Rousseff que vete integralmente as alterações no Código Florestal que estão sendo discutidas na Câmara, os movimentos sociais ligados ao campo querem que o governo elabore um programa ambiental, nos moldes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltado à formação de infraestrutura.

Entre os trabalhadores rurais, a reivindicação, que faz parte da recém-deflagrada campanha "Veta Dilma", já vem sendo chamada de PAC do Meio Ambiente.

Para Luiz Zarref, um dos coordenadores da Via Campesina, a política do governo deve incluir regularização fundiária, política florestal e de geração de renda por meio de manejo. "O governo precisa abrir um amplo programa. Como tem o PAC da infraestrutura e da educação, precisamos também do PAC para o Meio Ambiente que deve incluir regularização e política florestal diversificada e de geração de renda a partir da floresta", destacou Zarref.

Ele defende a manutenção da atual legislação ambiental. "Estamos trabalhando a campanha Veta Dilma pedindo para que a presidenta não aprove as alterações feitas pelo Congresso. Para nós, camponeses, está claro que, do Congresso brasileiro, não sairá texto minimamente sustentável", enfatizou.

A segunda votação do Novo Código Florestal na Câmara que aconteceria na terça-feira (6 de março) acabou sendo adiada para a próxima semana em um clima de total falta de acordo. O relator da proposta, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), pediu o adiamento da votação.

O texto do Código Florestal começou a tramitar no Congresso há mais de dez anos pela Câmara dos Deputados. Com relatoria do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), hoje ministro dos Esportes, o texto foi aprovado na Câmara em maio do ano passado e seguiu para o Senado, onde a matéria recebeu substitutivo do senador Jorge Viana (PT-AC).

Devido às alterações feitas pelo Senado, o texto precisou retornar à Câmara para uma nova votação dos itens alterados, antes de seguir para a sanção presidencial. Atualmente, a bancada ruralista se diz conformada com as alterações feitas pelo Senado, apesar de tê-las criticado. Já os ambientalistas não aceitam mudanças na atual legislação e consideram os dois textos como retrocesso.

Os movimentos sociais seguem na mesma linha. "Os movimentos denunciaram o tempo todo que o texto aprovado pelo Senado não é bom. Ele só transforma o 'manifesto ruralista' que o Aldo Rebelo aprovou na Câmara em um texto legal, com bases legais, porque o texto que foi aprovado na Câmara não tinha bases legais. Mas, mesmo assim, esse texto do Senado mantém a sua essência. Os próprios senadores falaram isso", argumentou Zarref.

Um ponto crucial da polêmica é o que prevê a conversão de multas por desmatamento em serviços de recuperação ambiental. "Trata-se de uma anistia e esse é um ponto central. Os latifundiários que devastaram beira de rio ou encostas vão continuar com essas áreas consolidadas, vão ter que recuperar uma pequena parcela. Há ainda a isenção de reserva legal para propriedade de até quatro módulos, que é uma questão importante, porque, no Brasil, onde os estabelecimentos rurais muitas vezes são compostos de vários imóveis de pequenos tamanhos", destacou.

Outra alteração criticada é a que aumenta as áreas destinadas a atividades como a carcinocultura (cultura de camarão) e a projetos turísticos em áreas de preservação litorâneas. O temor de que os manguezais sejam destruídos levou centenas de pessoas na quarta feira passada (7 de março) a protestarem em frente ao Congresso contra a aprovação do Código Florestal.

"Há ainda a destruição dos mangues porque abre a possibilidade de ampliar em mais 25% do território dos estados em carcinocultura em projetos de turismo na beira do mar. Enfim, há uma série de problemas no texto do Senado. O que está vindo para a Câmara não é um texto bom e os ruralistas ainda querem piorar esse texto, voltando com as medidas previstas no projeto relatado pelo então deputado Aldo Rebelo", criticou.

A ex-ministra de Meio Ambiente Marina Silva se engajou na campanha "Veta Dilma". "O veto é a principal ferramenta que a presidenta Dilma dispõe para manter a sua coerência", disse Marina, que relembrou o segundo turno da campanha presidencial em 2010.

"Foi ela que se comprometeu, de próprio punho, que vetaria qualquer projeto que significasse anistia, diminuição da proteção e aumento do desmatamento. O projeto do Senado assegura anistia para cerca de 40 milhões de hectares desmatados ilegalmente. A presidenta tem esse poder e, obviamente, o que a sociedade está fazendo é uma mobilização para dar respaldo político para que ela mantenha a sua coerência e, com certeza, ela vai precisar desse respaldo político porque foi colocada em uma situação difícil pela sua base", destacou.

Para Marina Silva, a presidenta precisa "tomar consciência do retrocesso ambiental que vem ocorrendo em seu governo". Do contrário, afirmou, o Brasil passará um "vexame" na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre no Rio de Janeiro em junho deste ano.

"A presidenta Dilma precisa tomar consciência do que está acontecendo, do que está sendo patrocinado pelo governo dela. Depois de o Brasil ter dado alguns passos que são relevantes, graças ao esforços de outros governos e da sociedade. O governo dela, além de ter paralisado qualquer avanço, está desconstruindo um esforço de mais de 20 anos", criticou.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 7 de março de 2012

ONGs acusam governo de retrocesso na área ambiental.

UIRÁ MACHADO DE SÃO PAULO

Um grupo de entidades de proteção ao meio ambiente divulga hoje manifesto no qual acusa o governo Dilma Rousseff de promover o maior retrocesso na agenda ambiental desde o final da ditadura militar (1964-1985).

Puxada pela reformulação do Código Florestal, a lista de problemas apontados pelas ONGs inclui a interrupção da criação de unidades de conservação ambiental e a redução de áreas de preservação.

O texto será divulgado em São Paulo, e deve contar com a presença da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

Durante o governo Lula, Marina travou disputa interna com a então colega Dilma Rousseff (que ocupou Minas e Energia e Casa Civil) em temas ambientais.

O grupo de ONGs -que reúne algumas das maiores que atuam com a causa verde- critica, entre outras coisas, a diminuição de poderes de órgãos como o Ibama (instituto brasileiro do meio ambiente).

"Desde a ditadura, nunca se fez tão pouco em termos de preservação ambiental, demarcação de terras indígenas, áreas quilombolas, saneamento", diz Márcio Santilli, ex-presidente da Funai e sócio-fundador do ISA (Instituto Socioambiental).

Para as ONGs, o Brasil passará por "constrangimento" na Rio+20, a Conferência da ONU para debater desenvolvimento sustentável, que ocorre no Brasil em junho.

Segundo André Lima, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente na gestão Lula, o atual governo está desconstruindo os avanços socioambientais conquistados em quase três décadas.

"Estudos do Ipam mostram que a presença do Ibama é determinante para contenção do desmatamento."

Para Paulo Barreto, da ONG Imazon, governos anteriores "sempre barravam iniciativas do Congresso que atentavam contra o meio ambiente", o que não ocorreria agora.

O presidente da fundação SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, diz que o manifesto representa uma verdadeira iniciativa de oposição fora do quadro partidário.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Resíduos Sólidos: O salto de 12% a 40%.


O Reino Unido oferece ao Brasil um bom exemplo de como melhorar a gestão do lixo e ampliar a coleta seletiva. Até meados da década passada, um dos países mais ricos do mundo chafurdava no fim da fila da União Europeia (UE) no tema da coleta seletiva, fazendo companhia à Grécia e Portugal.

Na Inglaterra – que concentra 84% da população do Reino Unido (também formado por Gales, Escócia e Irlanda do Norte) –, apenas míseros 12% do lixo total participavam de esquemas de coleta seletiva no ano financeiro 2000/2001.

Graças à diretriz da UE para uma gestão mais sustentável dos resíduos sólidos, à intensa cobertura da mídia sobre o assunto e à forte pressão do movimento ambientalista, autoridades passaram a investir pesadamente em coleta seletiva e reciclagem. O resultado não poderia ser outro – a taxa de lixo separado para reciclagem registrou saltos anuais de dois a cinco pontos percentuais na década passada.

No último relatório sobre lixo do Ministério do Meio Ambiente da Inglaterra (Defra, na sigla em inglês), relativo a 2010/2011 e divulgado no início de novembro, a taxa de coleta seletiva pela primeira vez ultrapassa a marca dos 40%, cravando exatos 40,1% do lixo total recolhido. Há três destinos básicos para a coleta seletiva inglesa: reciclagem, reúso e compostagem.
Fonte: Página 22

domingo, 22 de janeiro de 2012

Chuvas de verão, todo verão!

Até o poeta sabe que todo verão chove até chegarem as águas de março, fechando o verão. Mas a cada ano as promessas de vida ficam mais distantes, porque são nomeados os culpados de sempre, a própria chuva ou essa gente indigente que insiste em viver nas beiras de córregos e de morros.





As chuvas de verão agora têm nome chique, na TV chamam de “Zona de Convergência do Atlântico Sul”, que é quando a umidade que vem da Amazônia se encontra com o frio que vem do Sul. O resultado é que a cada ano chove muito e pode chover ainda cada vez mais, porque tem outra novidade que veio para ficar, as “mudanças climáticas”, que já criaram até furacão em Santa Catarina. E todo ano morre gente, no Rio de Janeiro, em Minas, em Pernambuco, nas Alagoas e até em São Paulo. Não escapa ninguém. Mas se é assim todo ano porque não se dá um jeito? Até ministro balança por conta das “obras de contenção de enchentes”, mas as águas insistem em subir, em ocupar as várzeas dos rios e em escorrer forte pelas encostas dos morros.

Nos jornais o brado é porque o governo, incompetente, não fez as obras. As organizações correm para a filantropia nossa de cada dia e recolhem alimentos, águas e roupas para os desabrigados. Mas ninguém pergunta onde está o Plano Diretor das cidades alagadas, onde está o planejamento urbano que pode tirar as pessoas das “áreas de risco”, onde está a política habitacional que pode dar casa decente a toda essa gente? Mas, acima de tudo, onde estão as prioridades de governos que tapam córregos e cimentam praças para dar lugar a carros e avenidas? Os mesmos córregos e rios que deveriam dar vazão a toda essa água? Rios que seguem espremidos pelo cimento e sem lugar para se espalhar e cumprir seu papel de fertilizar os campos.

Vai chover todo ano. Vai ter enchente todo ano, só não precisa morrer gente. Não precisa ter tanto prejuízo. E não é só aqui no Brasil, é em todo o mundo. Um estudo de uma seguradora alemã (Munich Re) informou que em 2011 o prejuízo do setor por conta de catástrofes naturais ficou em US$ 115 bilhões, muito acima dos US$ 42 bilhões de 2010. E nada Indica que as coisas venham a melhorar nos próximos anos. No Brasil o prejuízo não é dimensionado, as pessoas dos morros e das várzeas não tem seguro de suas roupas, fogões e geladeiras carregados pela lama e pelas lágrimas.

Clamar por obras de emergência não adianta muito. Pode satisfazer a mídia, mas não resolve nada. Devíamos é clamar por planejamento, por ações de recuperação urbana e de estruturação social. Não adianta tirar a lama das casas e rezar para que no ano que vem não chova tanto. Vai chover e não há nada que se possa fazer em relação a isso. O melhor mesmo é botar nossa engenharia e nossos políticos a serviço de cidades mais sustentáveis e menos vulneráveis. Aliás, em minhas andanças por esse Brasil, nunca vi uma aldeia indígena alagada. Deve ser porque eles sabem onde a água é forte e não constroem em seu caminho.

Autor: Dal Marcondes   -   Fonte: Envolverde