sábado, 8 de setembro de 2012

AQUECIMENTO GLOBAL ESTÁ PERTO DE SE TORNAR IRREVERSÍVEL, DIZEM CIENTISTAS.



Derretimento da cobertura de gelo e perda de floresta são críticos. Reunidos em Londres, pesquisadores pediram ações urgentes.

O mundo está perto de atingir um estado crítico que vai torná-lo irreversivelmente mais quente, tornando esta década crítica nos esforços para conter o aquecimento global, alertaram cientistas na segunda-feira (26 de agosto).
Reunidos em Londres, na Inglaterra, para a conferência "Planeta sob pressão", que se encerrou na quinta-feira (29 de agosto), pesquisadores afirmaram que mesmo com diferentes estimativas, as temperaturas do mundo parecem caminhar no sentido de um aumento de 6ºC até 2100, caso a emissão de gases do efeito estufa aumente sem controle.
Com o crescimento das emissões, especialistas dizem que o mundo está perto de atingir limites que vão tornar os efeitos do aquecimento global irreversíveis, como o derretimento da cobertura de gelo polar e perda de floresta.
"Esta é a década crítica. Se nós não invertermos a curva nesta década nós vamos ultrapassar estes limites", disse Will Steffen, diretor executivo do instituto de mudança climática da Universidade Nacional da Austrália.
Apesar deste senso de urgência, um novo tratado global sobre mudança climática que obrigue os maiores poluidores mundiais, como os Estados Unidos e a China, a cortar emissões só será acordado em 2015 - para entrar em vigor em 2020.
Momento limite
Para a cobertura de gelo - enormes refrigeradores que retardam o aquecimento do planeta - o ponto limite já foi ultrapassado, afirmou Steffen. A cobertura de gelo do oeste da Antártica já encolheu ao longo da última década e a cobertura da Groenlândia perdeu em torno de 200 km³ por ano, desde 1990.
A maioria das estimativas climáticas concorda que a floresta amazônica vai se tornar mais seca conforme o planeta esquente. Mortes de grandes porções de floresta provocadas pela seca têm aumentado temores de que estamos prestes a viver um ponto limite, quando a vegetação vai parar de absorver emissões e começar a liberar gases na atmosfera.
Nos piores cenários, entre 30 a 63 bilhões de toneladas de carbono podem ser liberadas por ano a partir de 2040, aumentando para até 380 bilhões até 2100. Como comparação, a quantidade de CO2 liberada por combustíveis fósseis anualmente é de 10 bilhões de toneladas.
O aumento do CO2 na atmosfera também tornou os oceanos mais ácidos conforme eles absorvem os gases. Nos últimos 200 anos, a acidificação dos oceanos ocorreu em uma velocidade não vista em 60 milhões de anos, disse Carol Turley do Laboratório Marinho de Plymouth.
Fonte: G1

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PÓS RIO+20 - UMA ANÁLISE CRÍTICA DA ECONOMIA VERDE E DA NATUREZA JURÍDICA DOS CRÉDITOS AMBIENTAIS.


Tudo que é financeiro, lamentavelmente, é econômico. Mas nem tudo que é econômico é financeiro!


Desde que foi instituído o MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pelo Protocolo de Quioto (1997), estamos manifestando nossas preocupações com a maneira pela qual os negócios e os acordos vinham sendo conduzidos. A tendência que temos observado é, infelizmente, que o mercado de carbono e seus derivados está repetindo os modelos centralizadores, arriscados, limitados e desgastados, sob os quais se  estabeleceram os contratos nos grandes centros financeiros. Analistas internacionais estimam um rombo de aproximadamente U$ 222 trilhões nos derivativos, o que equivale a três vezes o PIB mundial. A crise financeira internacional não acontece em outro planeta para que a euforia em relação aos créditos ambientais seja isenta de críticas e rechaços, como ocorreu durante a Rio+20 no evento paralelo Cúpula dos Povos.

É aqui mesmo, neste mercado global desregulamentado, que estão sendo negociados acordos entre governos e instituições financeiras com o aval de algumas ONGs ambientalistas, contrariando a lógica matemática mais racionalista e, tais créditos, sendo tratados como commodities, ou seja, mercadoria padronizada para compra e venda. A poluição é uma nova modalidade de mercadoria. Assim como a máfia do lixo, dos aterros sanitários, do lixo tóxico e do lixo atômico, estão fazendo do que deveria ser eliminado um “ativo ambiental”.

Os argumentos que justificam o mercado de carbono são louváveis. O apelo para conter o aquecimento global é legítimo. As mudanças climáticas ocasionadas pela ação do ser humano estão mais que comprovadas cientificamente, ainda que alguns céticos se esforcem para derrubar teses e estudos consolidados. Porém, o modus operandi a que se pretende alcançar esses objetivos são questionáveis até para os mais monetaristas dos cientistas econômicos.

Os números apontados são discrepantes: estima-se que U$ 142 bilhões foram negociados nos derivativos de carbono, contra U$ 5 bilhões investidos diretamente em projetos de MDL. O que se verifica é que, de fato, há um mercado sem controle, formando uma bolha ambiental prestes a explodir, uma vez que o sistema financeiro mundial está totalmente entrelaçado por garantias que os bancos trocam entre os próprios bancos, as chamadas “trocas de chumbo”. Há um movimento internacional atento, monitorando e denunciando fraudes e corrupções nesses mecanismos.

No sistema financeiro, não existe operação que não tenha garantia real. Não se pode formar um fundo climático sem que haja garantias de liquidez. Usarão todos os papéis que encontrarem pela frente para lastrear seus negócios de altíssimo risco no curtíssimo prazo.

É nesse contexto, que está o cerne da polêmica em relação à “economia verde”. Resumindo, a crítica é procedente, pois se estrutura na crença que o mercado financeiro é soberano e tem capacidade para regular e promover ajustes com as forças do livre mercado, precificando a natureza e, com isso, estabelecendo prazos contratuais, ao gosto do freguês, sem metas e sem regras, opondo-se, assim, à política “comando controle” dos Estados.

Não foi por acaso que o documento final da Rio+20 desconsiderou os princípios acordados na Rio-92: o princípio do poluidor-pagador, o princípio da precaução e o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

Dessa forma, promove-se a via mais rápida para a financeirização dos bens ambientais, como água, biodiversidade, florestas (fauna, flora e patrimônio genético) e minério, com a conivência e aval dos governos, que transferem suas responsabilidades enquanto Estado para as corporações através do sistema financeiro nos modelos neoliberais mais agressivos dos últimos tempos. No entanto, para que isso aconteça, é necessário desmantelar leis ambientais, afrouxar a fiscalização, flexibilizar regras e engessar os movimentos sociais e ambientais.

Se um país não tem terra e água para plantar, compra (ou rouba) terras em outro continente. Esse movimento especulativo atrai todo tipo de negócios escusos. As terras mais cobiçadas são os territórios das populações tradicionais, caiçaras, indígenas e quilombolas. Os pequenos proprietários de terras, com mananciais, águas subterrâneas e represas e rios em suas propriedades, também são alvos dos especuladores, que prometem vantagens financeiras agindo com cartas de gaveta (side letters) de compra e venda de áreas vinculantes aos créditos de carbono e de compensações, usando, portanto, as áreas como garantias reais para negociar os tais títulos.

Esse movimento já ocorre na informalidade há 15 (quinze anos), à revelia dos órgãos normatizadores e fiscalizadores, colocando em risco a soberania nacional por conta de conflitos fundiários e rurais, entre outros fatores territoriais. O mais alarmante é a velha troca de votos por água. É delicada e preocupante a fragilidade das populações que não têm acesso à água, em quantidade e qualidade, e ao saneamento básico. Estas são reféns, há séculos, do voto de cabresto.

Agora, temos uma novidade eleitoral sofisticada: o voto de cabresto do REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), e suas criativas variáveis, com a correria de diversos governadores e prefeitos assinando acordos com empresas estrangeiras. Resta saber quais são as bases jurídicas nas quais estão fundamentados todos esses acordos para que instituições financeiras internacionais administrem os bens ambientais desta nação. Outro caso interessante envolve ONGs, marketiando como se fossem instituições financeiras autorizadas a “funcionar” pelo Banco Central do Brasil. As ONGs anunciam produtos, sistemas de comercialização, cadastramento de clientes e negócios sob a lei das OSCs e OSCIPs. Isso pode?

Será que o mercado dos ativos ambientais, cuja natureza jurídica é incerta e extremamente confusa - quando camaleônicamente os players os tratam como commodities trocando, ao sabor dos ventos, para valores mobiliários (valores ambientais) ou para ativos ambientais e sabe-se lá que nome darão aos mesmos bois -, está isento de regras, normas, não se submete ao Código de Defesa do Consumidor, não será processado por prática de propaganda enganosa, entre outras arbitrariedades, abusando da falta de conhecimento técnico da população desavisada? São essas as perguntas que faremos aos futuros candidatos e aos seus partidos nas próximas eleições. Enquanto isso, quem viver o Pós-Rio+20 verá!

 Autor: Amyra El Khalili

sábado, 1 de setembro de 2012

O DEBATE QUE FALTA SOBRE O CÓDIGO FLORESTAL.



No debate sobre o novo Código Florestal, os dilemas sobre que Brasil o mundo precisa e o que estamos dispostos a construir como nação numa perspectiva de sustentabilidade e justiça social, com democracia, ficam em segundo plano. O debate está restrito aos limites dados pelo agronegócio, entre o que seus promotores acham aceitável para continuar se expandindo e o que a sociedade é capaz de suportar, sem nada mudar no rumo já traçado. Na verdade, como questão pública e política, a mudança legal do Código Florestal é determinada por uma velha agenda desenvolvimentista, hegemonizada pelos grandes interesses e forças econômicas envolvidas na cadeia agroindustrial, um dos pilares do Brasil potência emergente. Tudo que se fará não será no sentido de uma mudança de rumo, mas de flexibilização de regras e condutas para continuar destruindo.

Por que? Por que a destruição ambiental não figura como questão neste debate? Por que é tão difícil discutir nossa responsabilidade no uso do imenso patrimônio natural que herdamos como país? Afinal, a biodiversidade – e floresta é um grande celeiro de biodiversidade – é um dos bens comuns mais centrais para a existência da vida, da humanidade. Os sistemas naturais de reprodução de todas as formas de vida no planeta Terra passam pela biodiversidade das florestas. O ciclo da água, este bem comum sem o qual nenhuma vida existe, depende das florestas. Floresta é vida!

Estamos contaminados por um ideal de desenvolvimento industrial produtivista voltado à acumulação, ao lucro, não à produção de bem estar e felicidade. Tudo é feito para crescer, crescer sempre e sem limites, quanto mais rápido melhor. Crescem os negócios, gera-se riqueza que destrói e exclui, o luxo e o lixo. Quanto mais crescemos, mais destruímos, criamos mais lixo do que bens. Socialmente, a lógica deste sistema não é satisfazer necessidades humanas, mas criar um tipo de riqueza ditada pela acumulação, causa da pobreza ao mesmo tempo.

De forma desigual acumulamos, mesmo que na rabeira todos estejamos contaminados pelo ideal de acessar a mais bens. Não nos interrogamos do sentido de tais bens materiais, que são feitos para ter vida curta e precisam ser substituídos logo mais, tudo para que a produção e as vendas continuem a crescer e os capitais investidos continuem acumulando. No final da linha, muita destruição e injustiça social.

No centro de tudo, a relação desta economia com os sistemas naturais. Para viver, é evidente que precisamos extrair da natureza os meios que nos mantêm vivos. Mas, como o fazemos? Podemos simplesmente extrair sem limites, sem preocupação com a integridade dos sistemas naturais, nosso bem comum maior, com o qual interagimos? Existe sustentabilidade da vida humana sem sustentabilidade dos sistemas naturais?

O modelo industrial produtivista, que está no centro do agronegócio, não se move pela sustentabilidade da vida, de toda vida, destas e de futuras gerações. O critério é a acumulação, não a vida ou a preservação dos bens comuns. Seu motor é a conquista e dominação, herança deixada pela colonização. Hoje, continuamos a empreitada da colonização, conquistando terras, subjugando e expulsando os que vivem nelas, destruindo as suas florestas. Enquanto houver terras para conquistar, o colonialismo interno vai nos empurrar no caminho da destruição de matas e rios, não respeitando outros modos de organização e vida. Neste modelo de colonização das florestas, não importa que para plantar mil hectares de soja seja preciso destruir uma floresta de 1 mil hectares, mesmo se para a soja sejam necessários toneladas de agrotóxicos para protegê-la da biodiversidade teimosa do lugar, vista como “ervas daninhas”.

É neste quadro que o debate do Código Florestal deveria ser feito. Além disto, deveríamos levar em conta que decisões sobre o uso de florestas do Brasil afetam o equilíbrio ambiental do planeta inteiro e comprometem a vida de futuras gerações, a começar pelos nossos netos e seus filhos. No entanto, estamos vendo o imediato, o tamanho de nossa agricultura, suas exportações e as divisas que geram ao país. Decididamente, estamos comprometendo o nosso futuro e o do planeta junto.

Falta-nos muita grandeza neste debate. Não pensamos que o caminho para o futuro passa por recriar bases de sustentabilidade da vida. Preservar e recuperar as nossas florestas é uma condição indispensável neste sentido. Mas parece que não optamos pelas florestas e pela vida. Optamos pelo caminho mais curto de crescimento, que tem como pressuposto o velho modelo primário exportador, que nos torna dependentes de potências industriais e grandes destruidores ambientais.

Não é este o Brasil emergente que o mundo precisa e que quem luta por democracia e justiça social quer. O drama é que nossa política e, com ela, nossos sonhos e desejos coletivos estão aprisionados pelo corporativismo do agronegócio. O velho latifúndio comanda no Congresso Nacional, na casa que deveria representar o Brasil em sua diversidade e complexidade. Só mais democracia pode nos levar a superar este dilema.

 Autor: Cândido Grzybowski   -   Fonte: Carta Maior

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ANTÁRTIDA ESTÁ PASSANDO POR AQUECIMENTO ACELERADO.


Pesquisas como nunca antes realizadas sobre as geleiras da Antártida ajudam a compreender a dinâmica de aquecimento dos últimos 15 mil anos, especialmente a rápida elevação recente nas temperaturas.
Resultados publicados nesta semana por um grupo de cientistas polares da Inglaterra, Austrália e França oferecem um nova dimensão para a compreensão das mudanças climáticas na Península Antártica, que se prolonga cerca de 1,3 mil km ao norte da Antártica em direção à América do sul, e das prováveis causadas do desprendimento recente de geleiras.

A primeira reconstrução abrangente dos últimos 15 mil anos na história climática da região, período onde houve o término da última Era Glacial e a Terra entrou no atual período mais quente, foi realizada através de coletas de testemunhos de gelo na Ilha James Ross.

Um dos objetivos da pesquisa, assim como de muitas outras similares ao redor do mundo, é tentar distinguir se o aquecimento global é natural ou a partir de quando tem um empurrão das atividades antrópicas.

“Sabemos que algo incomum está acontecendo na Península Antártica”, alertou o principal autor do estudo, Dr. Robert Mulvaney, do British Antarctic Survey (BAS).

Os cientistas comprovaram o aquecimento acelerado da península nos últimos 100 anos. As temperaturas médias na Ilha James Ross subiram quase 2ºC nos últimos 50 anos, fazendo da Península Antártica um dos locais com aquecimento mais acentuado ao redor do globo.

Este salto não é nada convencional comparado com o aumento mais lento das temperaturas registrado nos 600 anos anteriores.

Os cientistas explicam que estes séculos de aquecimento gradual, que culminaram no evento mais acentuado recente, já significariam que as geleiras da península estavam destinadas a se desprender, como observado a partir da década de 1990.

Mulvaney comentou que ao longo do testemunho de 364 metros de gelo estão camadas de neve que caiu anualmente nos últimos 50 mil anos e que análises químicas sofisticadas foram usadas para recriar as temperaturas.

“O que vemos no registro de temperaturas do testemunho de gelo é que a Península Antártica aqueceu cerca de 6ºC ao sair da última era do gelo. Há 11 mil anos a temperatura havia subido 1,3ºC a mais do que a média atual e outras pesquisas indicam que naquela época a cobertura de gelo estava diminuindo”, comentou.

“Então o clima local esfriou em dois estágios, alcançando um mínimo há cerca de 600 anos. As geleiras do norte da Península Antártica expandiram durante este resfriamento. Aproximadamente há 600 anos, a temperatura começou a subir novamente, culminando em um aquecimento mais rápido nos últimos 50 a 100 anos, que coincide com a desintegração e retração presente das geleiras”, conclui.

O coautor do estudo Dr. Nerilie Abram, ex-pesquisador do BAS e atualmente da Universidade Nacional da Austrália, teme que se o aquecimento continuar a cobertura de gelo mais ao sul da península, estável há milhares de anos, também se torne vulnerável.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

DOCUMENTÁRIO: O SILÊNCIO DAS ABELHAS.


As abelhas tem um papel fundamental na nosso mundo, elas polinizam grande parte das árvores de fruto que nós e inúmeras outras espécies vitais para o equilíbrio na natureza. E se de repente alguém lhe disser que as abelhas estão a desaparecer e todo o ciclo de polinização está em risco de colapsar. Na realidade é exactamente isso que está a acontecer!

(EUA, 2007, 54 min.)
As abelhas surgiram na terra há 100 milhões de anos e tem sua evolução totalmente ligada as flores.
Mas com o Agronegócio, seu habitat está sendo devastado, seu ar poluído, seu pólen contaminado com pesticidas carregados de neurotoxinas, gerando um processo suicida: sem elas não haverá colheita.
Por causa disso, apicultores sobre rodas levam suas colmeias de um extremo ao outro dos EUA. As mesmas abelhas trabalham na Flórida e na Califórnia e fazem longas viagens de caminhão para polinizarem as plantações.

Mas agora elas estão desaparecendo rapidamente no mundo todo, pondo em risco a alimentação como a conhecemos. Somente nos EUA 1/3 delas se foram. A contínua redução das populações não se restringe apenas às abelhas, mas também às borboletas e outros insetos vitais para a planta.
A polinização de 3/4 das plantas dependem de insetos polinizadores.

sábado, 18 de agosto de 2012

O QUE ESTÁ MUITO RUIM, AINDA VAI PIORAR: MEDIDA PROVISÓRIA DO CÓDIGO FLORESTAL.


Retomada a votação dos destaques do código florestal semana passada, houve acordo entre membros da comissão mista para que somente 38 dos 343 destaques fossem apreciados. Começaram a ser debatidos e votados 30 destaques ruralistas para afrouxar a proteção ambiental e 8 destaques para aprimorar a Lei. Dos destaques votados e já aprovados, ressalto dois:

Conceito de pousio

Governo acorda com seus ruralistas que 100% dos imóveis, independentemente do tamanho e da região, poderá ser considerado área sob regime de pousio. Pousio é técnica rudimentar usada por agricultores tradicionais (principalmente quilombolas, indígenas e agricultores familiares) de deixar uma área "descansar" para melhorar a produtividade depois de alguns anos de uso.  A proposta em vigor estabelece prazo máximo de 5 anos e limitação a até 25% dos imóveis. Com a proposta aprovada pela comissão hoje, um imóvel com 100% de área desmatada (ilegalmente) e abandonada por até 5 anos poderá ser classificada como "pousio" e, consequentemente, ser enquadrada como área rural consolidada. A vegetação em recuperação poderá ser desmatada novamente em 100% da área em função do conceito de área rural consolidada (área desmatada até julho de 2008).

Desproteção de rios intermitentes 

Por 15 votos a 12 foi aprovado que somente poderão ser consideradas de preservação permanente as margens de rios e lagoas perenes. Com isso, por exemplo, mais de 50% dos pequenos rios do cerrado e do semiárido perderão a proteção de sua vegetação ciliar. Isso significa não somente mais desmatamentos, como principalmente a desproteção de rios em áreas muito sensíveis e vulneráveis. O que agrava a situação é que esse dispositivo não poderá ser objeto de novo veto presidencial, pois se trata de um dispositivo que sustenta todas as Áreas de preservação permanente.

Também começou a ser debatida a proteção das veredas. A votação não aconteceu, pois a sessão foi suspensa. Mas o resultado, se o Planalto não mudar a tática, já se sabe qual será. Mais um desastre ambiental à vista.

A votação será retomada no dia 28 de agosto e, de acordo com um parlamentar do PT que tem um papel importante na Comissão Mista, há a possibilidade de o governo mudar algumas "peças" da comissão para tentar evitar mais perdas. Ou seja, alterar a composição para ganhar mais alguns votos já que as votações foram apertadas.

Entre os parlamentares que votaram a favor dos desastres ambientais acima citados destacaram-se a Senadora Ana Amélia (PP-RS), o Senador Moka (PMDB-MS), o Senador Blairo Maggi (PR-MT), a Senadora Katia Abreu (PSD-TO) e vários deputados que compõem a base do governo no congresso nacional.

Portanto, não é uma derrota do governo. Mas sim uma vitória do governo ruralista que driblou a Rio+20, entregou a rapa-dura e até aqui deu o seguinte recado: "virem-se os parlamentares que selaram o acordão com Kátia Abreu e Cia (i)Ltda no Senado". Por enquanto é isso!

 Autor: André Lima   -   Fonte: IPAM

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

NORMAS PARA GESTÃO DA SUSTENTABILIDADE EM EVENTOS SERÁ LANÇADA EM SP.

Acontecerá no próximo dia 13 de agosto, a partir das 19h, o lançamento da ABNT NBR ISO 20121:2012, norma de gestão que visa privilegiar o uso de práticas sustentáveis na organização de eventos de qualquer natureza. Seu lançamento, seguido de coquetel, será no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. O evento contará com a presença de associações do setor de eventos e turismo e de autoridades públicas.

A norma internacional ISO 20121, que teve a participação de 35 países, tendo a Inglaterra na coordenação e o Brasil, através da ABNT, na secretaria geral, foi utilizada para que a Olimpíada de Londres fosse organizada de maneira sustentável.

Graças aos esforços de diversas associações, entidades e órgãos governamentais brasileiros ligados direta ou indiretamente à área de eventos, e que tiveram participação ativa na elaboração, a Norma foi traduzida e publicada. Prevê-se que ela seja utilizada para a organização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, ambas sediadas no Brasil.

De acordo com Daniel de Freitas, diretor de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Eventos (IBEV), chefe da delegação brasileira e coordenador da Comissão de Estudo Especial de Sustentabilidade na Gestão de Eventos (ABNT/CEE 142), que participou da elaboração da ISO 20121, vale destacar que as regras são de cunho orientativo. "A Norma é por conformidade, e suas metas são voluntárias, porque dependem do caráter de cada evento", afirma. Sua aprovação foi apenas a primeira etapa e, como toda norma, no decorrer do tempo passa por aperfeiçoamentos e adequações de acordo com a realidade de cada país.

Descomplicada de ser implementada, a Norma auxiliará as empresas nas tomadas de decisões, no que diz respeito ao uso da sustentabilidade em suas atividades relacionadas a eventos. Ela se adéqua aos diversos tipos e tamanhos de organizações envolvidas no projeto e execução de eventos, e acomoda diferentes condições geográficas, culturais e sociais.

As empresas que têm o interesse de promover eventos em conformidade com a ISO precisam, em primeiro lugar, definir as questões internas e externas relevantes à sustentabilidade e à finalidade de seu evento. Nesse contexto, a organização deve identificar quais os públicos de interesse com relação a seus eventos e, a partir daí, adotar procedimentos para avaliar os impactos nos âmbitos ambiental, social e econômico gerados de/para esses públicos.

Podem ser considerados, entre outros, os seguintes impactos:

Aspectos ambientais - utilização de recursos, escolha de materiais, conservação de recursos, redução das emissões, preservação da biodiversidade e da natureza, emissão de poluentes no solo, na água e no ar, transporte e logística, descarte de resíduos, etc.

Aspectos sociais - normas de trabalho, saúde e segurança, liberdades civis, justiça social, comunidade local, direitos indígenas, questões culturais, acessibilidade, equidade, patrimônio e sensibilidades religiosas, inclusão, geração de empregos e renda, comunicação, capacitação, legados, etc.

Aspectos econômicos - retorno sobre o investimento, incentivo à economia local, capacidade do mercado, valor das partes interessadas, inovação, impacto econômico direto e indireto, presença de mercado, desempenho econômico, risco, comércio justo e participação nos lucros, ética, geração de renda e emprego, etc.