sábado, 30 de junho de 2012

SUSTENTABILIDADE SERÁ TEMA OBRIGATÓRIO NO ENSINO SUPERIOR A PARTIR DE 2013.




No último dia da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o Brasil anunciou a adoção de um compromisso voluntário que pode render bons frutos. A partir do próximo ano, a sustentabilidade deverá constar no currículo acadêmico de todas as universidades brasileiras.

A intenção é que, futuramente, o tema seja incorporado da pré-escola ao ensino médio. “Não faz sentido ensinar finanças sem ensinar ética ou meio ambiente. Educação superior é o começo, mas tem que ser em todas as séries. Incentivo a todos que façam ações. Não é só compromisso financeiro, precisamos de comprometimento dos governos”, afirmou à Agência Brasil o conselheiro do Conselho Nacional de Educação, Antônio Freitas Junior.

Embora tenha sido anunciada durante a Conferência, a medida foi publicada no Diário Oficial no dia 18 de junho. A lei especifica apenas que o assunto deverá ser abordado de forma interdisciplinar e contínua, sem necessariamente ser uma disciplina à parte. Na prática, isto significa que é um tema que deve ser abordado em todas as disciplinas, sem ser conteúdo obrigatório de nenhuma.

Obrigatoriedade

Atualmente, a educação ambiental é adotada, também como tema transversal, no ensino básico pelo Ministério da Educação (MEC). Desde abril de 2011, tramita na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 876/2011, que propõe alterar a Política Nacional de Educação Ambiental, tornando-a disciplina obrigatória – e, portanto, específica – no ensino fundamental e no médio.

“A sustentabilidade permeia todas as áreas, os enfoques é que são diferentes. Por exemplo, foi descoberto que o gás que sai do motor a diesel causa câncer. Então, um engenheiro mecânico tem que saber muito mais sobre esse assunto”, ressaltou o conselheiro.

Fonte: EcoD

VALE DESTRUIRÁ MILHARES DE CAVERNAS NA AMAZÔNIA.

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Registros históricos de 10 mil anos de ocupação humana na Amazônia serão destruídos de forma indiscriminada. As cavernas serão demolidas sem terem sequer sido pesquisadas. Arqueólogos contratados pela própria Vale qualificaram as cavernas como de “relevância máxima” e desautorizaram a entrada das escavadeiras.
Contrariando pareceres de arqueólogos, espeleólogos e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o governo federal deu licença prévia para um investimento de 20 bilhões de dólares em mineração de ferro, na vertente Sul da Serra de Carajás, no coração da Amazônia.
Milhares de cavernas serão destruídas. Não há como preservá-las, pois a extração do minério é feita a partir da demolição do terreno. Nada ficará de pé, inclusive as cavernas, que guardam relíquias que datam de 10 mil anos atrás.
PODER DE CONVENCIMENTO
Pesquisas feitas nos últimos anos por espeleólogos e arqueólogos, contratados pela própria Vale, recomendaram a preservação dos locais, considerados por eles como de “relevância máxima”.
Parecer técnico do ICMBio, recomendando a preservação do local, sequer foi considerado pelo governo federal, que deu a licença ambiental prévia por intermédio do Ibama.
A negociação com o alto escalão do governo foi feita pelo próprio presidente da Vale, Murilo Ferreira. Após a emissão da licença ambiental prévia, Ferreira visitou a presidente Dilma Rousseff e fez uma exposição sobre os planos da mineradora para a região. A reunião aconteceu na quarta 27, no Palácio do Planalto.
Registros históricos de 10 mil anos de ocupação humana na Amazônia serão destruídos de forma indiscriminada.
Entre a preservação do patrimônio histórico e o aporte de 20 bilhões de dólares para dobrar a produção na Serra dos Carajás, ficamos com a segunda opção.
O governo sequer enviou uma expedição para tentar conhecer o tamanho do prejuízo que o país terá com a destruição das cavernas.
Não pesquisou, não levou em conta o parecer do ICMBio, não deu ouvidos aos arqueólogos e espeleólogos contratados pela própria mineradora.
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CADEIA PRODUTIVA
Em seus documentos oficiais que vieram a público, a Vale omitiu a existência das cavernas. Informou apenas que os impactos ambientais serão mínimos, pois o minério vai sair da região em esteiras com 30 quilômetros de comprimento, para áreas sem restrições ambientais.
A Vale tem sérios problemas na cadeia produtiva. O mais conhecido é o de abastecer, com minério de ferro, siderúrgicas envolvidas com devastação ambiental e trabalho escravo, conforme várias pesquisas comprovaram, ao longo dos últimos anos.
Menos de 24 horas depois de informar que seu parecer era contrário a licença ambiental prévia, o ICMBio voltou atrás. Na tarde de quinta 28, o Ibama divulgou uma nota em que afirmava dispor de parecer favorável emitido pelo ICMBio.
Tudo ficou, dessa forma, resolvido.
A Vale agora trabalha para obter a licença ambiental definitiva e colocar a mina em operação, em 2016.
É o maior projeto de mineração de ferro em andamento no mundo. Vai aumentar em 82% a produção no chamado Sistema Norte, que passará das atuais 109 para 200 milhões de toneladas anuais de minério de ferro.
Fonte: Rede Sustentável




EVENTOS EXTREMOS REACENDEM DISCUSSÕES SOBRE MUDANÇA CLIMÁTICA.


Incêndios nos Estados Unidos e tempestades sem precedentes no Suriname criam nova onda de preocupação com as mudanças no clima do planeta.


Pela quarta vez em menos de um ano, uma tempestade tropical, comum nos países do Caribe, mas do tipo que nunca tinha chegado ao Suriname, atingiu a costa da pequena nação sul-americana, causando prejuízos e provocando o desalojamento de centenas de pessoas.

“Pela primeira vez na história estamos sofrendo os efeitos de tempestades deste porte”, comentou Ginmardo Kromosoeto, ministro surinamês do Meio Ambiente.


Segundo John Goedschalk, diretor da Agência de Desenvolvimento de Compatibilidade Climática (CCDA) do Suriname, não há dúvidas de que algo está mudando no clima. “Não deveríamos nem questionar se esse tempo é causado pelas mudanças climáticas. O oceano está aquecendo e a intensidade do vento que estamos vivenciando é uma reação natural a este fenômeno.”


Os danos causados pela tempestade ainda não foram divulgados, mas o governo surinamense acredita que os custos cheguem a US$ 154 mil. O vice-presidente Robert Ameerali declarou que haverá ainda mais gastos: cerca de US$ 3,1 milhões anuais serão colocados à disposição do Centro de Coordenação Nacional para Assistência em Desastres (NCCR) para um fundo de auxílio que será estabelecido para vítimas do clima.


Goedschalk afirmou também que sua agência está em negociação com o Instituto Nacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento para criar uma força-tarefa que avaliará a situação. O diretor espera que entre os assuntos tratados esteja a legislação de construção do Suriname.


“Ainda construímos casas de formas convencionais, porque nunca levamos ventos fortes em consideração. Mas com o aumento que estamos vendo na força dos ventos, deveríamos adicionar requisitos como melhor fixação de telhados em nossa legislação”, disse.


EUA


Os Estados Unidos também enfrentam problemas com extremos climáticos. Em Montana e Utah, os incêndios estão descontrolados, e no Colorado, eles mataram quatro pessoas e destruíram centenas de casas. Isso porque, com o inverno mais brando, a neve derreteu mais rapidamente, possibilitando que a temporada de incêndios começasse mais cedo.


“Isso nos coloca em um verão mais longo, mais seco. Então tudo o que você precisa é uma fonte de combustão e vento”, observou Steven Running, ecologista florestal da Universidade de Montana.


Estes incêndios têm custado pelo menos US$ 1 bilhão por ano e têm ajudado a alastrar problemas de saúde, que vão de doenças relacionadas ao pulmão, coração e rins a estresse pós-traumático, enfatizou Howard Frumkin, especialista em saúde pública da Universidade Washington.


“A fumaça de incêndios é como a poluição intensa do ar. O nível de poluição pode ficar muitas vezes maior do que em um dia ruim na Cidade do México ou em Pequim”, alertou Frunkin.


As altas temperaturas que estão alimentando esses incêndios coincidem com as projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), que afirmou que estes calores extremos, com um pequeno resfriamento durante a noite, são um dos impactos do aquecimento global, assim como tempestades severas, enchentes e secas.


“O que estamos vendo é uma janela para a real forma do aquecimento global. Isso proporciona imagens vívidas do que podemos esperar para o futuro”, observou Michael Oppenheimer, da Universidade de Princeton.


 Fonte: Instituto CarbonoBrasil

sexta-feira, 29 de junho de 2012

DOCUMENTÁRIO: LIXO EXTRAORDINÁRIO

Um excelente exemplo do quão valioso é o que chamam de "lixo".


Filmado ao longo de dois anos (agosto de 2007 a maio de 2009), Lixo Extraordinário acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente. A equipe tem acesso a todo o processo e, no final, revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.

APÓS RIO+20, FAZENDEIROS AMEAÇAM ÍNDIOS XAVANTE.




Há 20 anos esperando que invasores sejam retirados de seu território, os índios Xavante foram à Rio +20 para cobrar a promessa feita pelo governo. Durante a conferência, 12 guerreiros da Terra Indígena Marãiwatsédé, do Mato Grosso, fizeram um ato a bordo do navio do Greenpeace, participaram da Marcha dos Povos e conseguiram entregar sua reivindicação nas mãos do governo. O ministro Gilberto Carvalho, braço-direito de Dilma Rousseff, e a presidente da Funai, Marta Azevedo, receberam a carta-denúncia e prometeram agir.


Quem agiu primeiro, porém, foram os fazendeiros que, há anos, ocupam a Marãiwatsédé. Ao retornar para suas terras, os Xavante se depararam com uma série manifestações e ameaças pelo caminho. Segundo matéria do Repórter Brasil, desde o último sábado, a terra indígena “está ocupada por manifestantes que bloquearam o acesso à cidade de São Félix do Araguaia. Eles cavaram uma trincheira na estrada e queimaram pontes em outras vias de acesso à região em ato desesperado diante da sua iminente desintrusão”.


De acordo com fontes locais, não há efetivo suficiente do governo federal para garantir a segurança dos cerca de 900 Xavante de Marãiwatsédé que se protegem em sua aldeia. As manifestações se desencadearam com o retorno dos indígenas da Rio +20. Mas também na esteira da sentença que saiu em 18 de maio deste ano, quando o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou a retirada imediata dos invasores de Marãiwatsédé.


Saiba mais sobre a história dos Xavante de Marãiwatsedé no vídeo abaixo:



BELO MONTE: NOTA DE REPÚDIO Á TENTATIVA DE CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO SOCIAL DE ALTAMIRA.

O Instituto Socioambiental (ISA) vem se solidarizar com lideranças regionais, profissionais da comunicação e membros do Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) contrários à construção da Hidrelétrica de Belo Monte, que injustamente vêm sendo ameaçados de prisão.


Ao mesmo tempo em que acontecia, no Rio de Janeiro, o encontro global Rio+20, algumas das organizações e lideranças sociais que integram o MXVPS organizaram um encontro na cidade de Altamira, denominado Xingu +23, que, segundo seus organizadores, reuniu cerca de 300 pessoas, entre atingidos pela obra e apoiadores de sua luta.


Após o fim da manifestação, algumas pessoas entraram em salas de escritórios da Norte Energia e danificaram bens materiais (computadores, portas etc.). Com base nesse ato isolado a Polícia Civil de Altamira, incitada pelos construtores da obra, indiciou criminalmente diversas das lideranças sociais de Altamira, que nada tiveram a ver com esse incidente, acusando-as de roubo (!). O processo de perseguição continuou com o pedido de prisão preventiva destas pessoas no dia 26 de junho.


O ISA entende que a ocorrência de um fato isolado não pode, em hipótese alguma, ser utilizado como pretexto para perseguir o movimento social da região e aqueles que se opõem à construção dessa polêmica usina. Várias das pessoas indiciadas por roubo notoriamente nada tiveram a ver com o fato ocorrido. Pelo contrário, exerceram seu direito de manifestação, de forma legítima, pacífica e em exercício de sua profissão, incluindo aí um padre que rezou uma missa durante o ato e um cineasta que estava registrando o evento.


O ISA repudia a tentativa de se utilizar o aparato do Estado para silenciar os movimentos sociais e condena as formas de violência praticadas nesta situação. Tanto as que resultaram na danificação de instalações do Consórcio Construtor de Belo Monte, como aquelas praticadas contra os moradores das cidades de Altamira e Vitória do Xingu, os agricultores, indígenas e ribeirinhos da região, que sofrem com a forma autoritária pela qual o empreendimento vem sendo instalado ao arrepio do Estado Democrático de Direito.

Brasília, 26 de junho de 2012.

Fonte: Instituto Socioambiental (ISA)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

CONFIRMOU-SE O PIOR DOS CENÁRIOS: NADA DE CONCRETO FOI DEFINIDO.



A Rio+20 passou, voltemos ao trabalho

As delegações internacionais começam a deixar o Rio de Janeiro. Com elas se vão os milhares de soldados, atiradores de elite e policiais federais, com suas SUVs, helicópteros, fragatas, caminhões antibomba e tanques com artilharia antiaérea. Partem, também, os mais de 300 motociclistas que infernizaram a vida do carioca durante toda a semana com suas sirenes estridentes.

Começam a ser desmontadas as tendas no Aterro do Flamengo e as estruturas de muitos outros locais espalhados pela capital fluminense onde ocorreram centenas de encontros, debates, exposições, seminários e trocas de experiências durante a Rio+20. Sem dúvida, o mais importante legado da conferência.

O Riocentro, palco do vexame internacional protagonizado por representantes de governos que não foram capazes de mostrar o que vieram fazer no Rio, mergulha no silêncio.

Para quem acompanhou o processo preparatório dessa conferência, confirmou-se o pior dos cenários: nada de concreto foi definido. Tudo foi adiado para ser tratado pela Assembleia-Geral das Nações Unidas e negociações futuras.

O problema é que a Rio+20 foi convocada justamente para tratar de questões que os processos regulares da ONU não estavam sendo capazes de resolver, em especial os chamados meios de implementação. Ou seja, a instituição de mecanismos relacionados à governança, ao financiamento e à transferência de tecnologia, considerados fundamentais para fazer valer as inúmeras decisões já aprovadas no âmbito das convenções e protocolos internacionais.

Quem tiver a disposição de ler o longo e repetitivo texto com 283 parágrafos e 49 páginas, vai encontrar um monte de afirmações e reafirmações de conceitos importantes. Encontrará, também, a descrição genérica dos novos passos que precisam ser dados no futuro próximo. Mas não encontrará nenhuma decisão efetiva que tenha sido adotada e que poderia ser o legado da Rio+20.

Esse é o resultado que a burocrata e autocentrada diplomacia internacional foi capaz de produzir: o nivelamento por baixo. As divergências foram tiradas do texto e o documento final sacado a fórceps pelo Brasil, antes mesmo da chegada dos chefes de Estado.

A afirmação de uma ministra brasileira em uma coletiva de imprensa foi reveladora: "Quero destacar a ousadia da diplomacia brasileira de terminar a conferência no prazo". O incrível é que essa frase foi dita no dia 19, antes de qualquer presidente ou primeiro-ministro ter colocado os pés na Cidade Maravilhosa.

Mas, ao final, a melhor definição do resultado da Rio+20, liderada pelo Itamaraty, foi dada por nosso chanceler: "O resultado não deixa de ser satisfatório porque existe um resultado. A perspectiva era de ter texto ou não ter texto. Temos um texto".

Autor: João Paulo Capobianco